Oídio nas Plantas: Que Folhas Já Estão Perdidas
O oídio não precisa de folhas molhadas, portanto regar com cuidado nunca protegeu estas plantas dele. Nenhuma folha infetada volta atrás, e a pergunta útil é que tecido continua limpo.
Um pó branco, parecido com farinha, que se espalha pela face de cima das folhas é a imagem com que quase toda a gente chega. A primeira leitura útil é que a camada está seca: fica por cima da folha em vez de vir de dentro, aparece com um tempo que mantém o míldio afastado, e a folha por baixo já amarelece onde as manchas estão há mais tempo. O que decide o resto da época é que folhas estão em cada estado.
Próximo Passo
Use o calendário quando o verdadeiro problema é o momento ou o clima.
Esta doença anda com o tempo da tua zona e não com o calendário, e os dois dados que decidem se o ano é mau - quanto calor faz de dia e quanta humidade há de noite - vêm da tua localização e não de uma data de plantio. O calendário de plantio traz as tuas mínimas recentes e a janela que cada cultura pede, para veres se as plantas atacadas ainda estão a dar o crescimento limpo que sustenta a colheita.
A condição que provavelmente tens ao contrário
O que decide se isto continua a avançar quase nunca é aquilo em que andaste a trabalhar. Vê que condição está a fazer o trabalho neste canteiro e que única mudança a desloca, antes de gastar seja o que for num remédio.

O hábito que protege uma horta de quase todos os fungos de folha é o que a deixa aberta a este. O míldio, as requeimas, as ferrugens e a maioria das manchas foliares precisam de água livre sobre a folha para que os esporos germinem, e é por isso que regar na base e manter a folhagem seca é o conselho de sempre. Este fungo é a exceção: os esporos germinam em ar úmido e a água livre sobre a folha trava-os em vez de os ajudar. Quem andou a regar com cuidado todo o verão não andou a proteger as plantas disto, e além disso é mais provável ser quem o tem, porque as hortas mais secas costumam ser as que têm menos ar entre as plantas.
Humidade dentro da folhagem, não água sobre a folha
97-99% de noite, 40-70% de dia
a humidade relativa em que os esporos germinam e o intervalo diurno que os deixa dispersar — New Mexico State University Plant Clinic
Onde o vês
As manchas aparecem primeiro nas folhas baixas e à sombra e na página de baixo, que é onde o ar fica mais parado e a humidade dura mais. As folhas do topo, ao sol e ao vento, ficam limpas semanas depois de a base da planta estar coberta.
A única mudança que o desloca
Abre a folhagem em vez de mudar a rega. Clareia as plantas apertadas, tira as ervas à volta e para de dar azoto no fim da época.
Dias amenos com noites frescas e húmidas
16 °C a 27 °C, e 21 °C a 27 °C quando avança mais depressa
60°F a 80°F, e 70°F a 80°F, que é como a fonte o publica
a janela de temperatura em que a doença se desenvolve, e a mais estreita em que avança mais rápido — Clemson University HGIC e Colorado State University Extension
Onde o vês
O fim da primavera e o início do outono são as duas janelas, e uma sequência de dias amenos com orvalho forte é a que corre mais. O calor do meio do verão acima de cerca de 32 °C trava-o, e é por isso que uma horta que o tinha em junho costuma parecer mais limpa em agosto e pior outra vez em setembro.
A única mudança que o desloca
Com o tempo não se pode fazer nada, e é por isso que as linhas de baixo valem mais do que esta. O que podes fazer é começar a olhar para as folhas de baixo quando as noites ficam húmidas, em vez de esperar que a planta pareça mal.
Sombra e ar parado
A infeção aumenta à medida que a humidade relativa se aproxima dos 90%
o limiar de humidade a partir do qual a infeção sobe — Colorado State University Extension
Onde o vês
As plantas que o apanham primeiro são as que estão à sombra, encostadas a um muro, debaixo de uma árvore ou no lado apertado do canteiro. A doença é comum em plantações densas e em zonas húmidas e sombreadas, e as folhas de baixo de uma planta densa estão nas duas coisas todo o dia.
A única mudança que o desloca
Escolhe o lado soalheiro da horta para as cucurbitáceas no ano seguinte, e dá-lhes o compasso que o pacote de sementes pede e não o que o canteiro permite.
Crescimento mole por adubação forte
O tecido jovem e suculento é o mais suscetível
o tecido que a doença prefere, segundo as publicações de extensão do Colorado e do Nebraska — Colorado State University Extension
Onde o vês
As folhas mais novas e as pontas das ramas são as que levam as primeiras manchas numa planta muito adubada, e a folha que cresceu numa semana de azoto generoso é mais fina e mais mole do que a que cresceu devagar.
A única mudança que o desloca
Corta o azoto do fim da época e, se adubares, usa uma forma de libertação lenta para que a planta cresça de forma constante e não aos repelões.
As quatro condições não são quatro causas entre as quais escolher: somam-se. Um canteiro à sombra, com plantas apertadas e uma adubação tardia de azoto, retém a humidade, deixa o ar parado e produz exatamente o tecido que o fungo prefere; esse mesmo canteiro ao sol e com mais espaço não tem nenhuma das três. É também por isso que a resposta quase nunca é um produto: o produto trata a folha e as condições estão no canteiro.
Em que face está, e o que a folha faz quando a esfregas
Algumas das leituras abaixo não precisam de tratamento nenhum, e uma delas é uma doença mais grave que pede o contrário. Em que face está e o que a folha faz ao esfregar verificam-se de pé junto à planta, com o polegar.
Há três coisas mais numa folha de horta que se parecem com isto e não são. Duas delas não precisam de tratamento nenhum, e uma é uma doença bastante mais grave que pede exatamente o contrário, portanto os dois primeiros minutos valem a pena gastos nos testes e não na lista de remédios.
Oídio
Em que face
Nas duas faces, mas começa pela face de cima das folhas baixas e à sombra. No tomateiro pode correr também pelos caules e pelos pecíolos, o que é uma das poucas formas de saber qual dos dois oídios do tomateiro tens.
Ao esfregar
O branco sai com o dedo e deixa por baixo uma mancha amarela ou acobreada. Essa mancha não volta a ficar verde, e a camada reaparece no mesmo sítio em menos de uma semana.
Filamentos e esporos à superfície; as estruturas de alimentação dentro das células
onde está o fungo em relação à superfície da folha, e porque é que esfregar só alcança uma parte — Colorado State University Extension
Uma camada que se limpa e uma folha que continua amarela por baixo é a leitura em torno da qual gira o resto do mapa: os filamentos estão à superfície e as estruturas de alimentação estão dentro das células que ficam por baixo. É por isso que a superfície se pode limpar e a folha não se pode reparar.
Míldio
Em que face
Só na página de baixo. Por cima vês uma mancha amarela angular que para nas nervuras e deixa a folha com aspeto acolchoado, e o crescimento branco está no reverso dessa mancha, não na face de cima.
Ao esfregar
Sai da página de baixo e a mancha de cima fica. O que o separa é a forma e o tempo: as zonas amarelas são limitadas pelas nervuras em vez de redondas, e a doença precisa de frio e humidade em vez de tempo seco.
Esporos só na página de baixo, em manchas limitadas pelas nervuras
os dois traços que separam os dois míldios à vista, um ao lado do outro numa tabela — UC Statewide IPM Program
É a confusão que merece um minuto, porque as duas doenças querem condições opostas e o tratamento de uma não faz nada pela outra. O míldio chega depois da chuva ou da rega e avança com tempo húmido; esta doença avança quando as folhas se mantêm secas.
Melada e fumagina
Em que face
Na face de cima, num filme pegajoso que junta pó e fica preto. Costuma estar nas folhas que ficam por baixo de uma colónia de pulgões, mosca-branca, cochonilha ou piolho, e não espalhado por toda a planta.
Ao esfregar
Sai e a folha por baixo está verde. É esse o teste: um filme que sai e deixa uma folha saudável nunca estava a crescer sobre a planta.
Um filme que sai e deixa uma folha verde
a leitura que separa excreções de insetos de um fungo a crescer sobre o tecido — UC Statewide IPM Program e University of New Hampshire Extension
São excreções de insetos, não um fungo, portanto nenhum fungicida lhe toca. Procura na página de baixo e nos rebentos os insetos que a produzem, porque o filme é o sintoma e a colónia é o problema.
Um depósito mineral ou de adubo
Em que face
Onde a água secou: as margens da folha depois de uma rega forte, a folha que está debaixo de um pulverizador, a borda do vaso e a superfície do próprio substrato.
Ao esfregar
Sai, e muitas vezes volta nas mesmas margens depois da rega seguinte. O resíduo é arenoso e encrostado, não é pulverulento nem fofo, e não salta de folha em folha como uma infeção.
Uma crosta branca cristalizada nas folhas, na borda do vaso e no substrato
os depósitos que a água dura e o adubo solúvel deixam, e onde se acumulam — University of Maryland Extension
A água dura deixa cálcio e magnésio quando evapora, e o adubo solúvel deixa sais da mesma maneira. Nenhum dos dois é uma doença, e os dois são sinal para regar por baixo e para lavar os sais de um vaso, não para pulverizar nada.
O teste de esfregar resolve três dos quatro, e vale a pena fazê-lo antes de tudo o resto, porque duas destas leituras significam que não há nada a tratar. O que o teste não resolve é qual dos dois míldios está na folha, e isso depende da face, da forma e do tempo.
O que está perdido, o que ainda trabalha e o que está limpo
Uma folha que já o tem não recupera, e esse é o dado que quase todos os conselhos saltam. Lê a planta das folhas velhas para cima, e cada faixa diz-te o que esse tecido ainda está a fazer e o que fazer com ele.
Uma folha que já o tem não recupera. Os filamentos estão à superfície e as estruturas de alimentação estão dentro das células, portanto tirar a camada tira a parte que vês e deixa a que está a levar o açúcar da planta. Quando o tecido à volta desses pontos de alimentação já amarelou, essa folha é uma perda líquida: continua a respirar e continua a perder água, e já não paga o que custa. A resposta da planta é largá-la, e é isso que as folhas amarelas estão a fazer.
- VeredictoJá está perdida
As folhas mais velhas, na base
As folhas de 16 a 23 dias após desdobrarem-se são as mais suscetíveis
a janela de idade da folha em que a infeção pega com mais facilidade — University of Illinois Extension
O que esse tecido está a fazer
São as folhas a que a doença chega primeiro e as que ela termina primeiro. São o tecido mais velho da planta, ficam na parte de baixo da folhagem onde o ar está mais parado, e são as que menos conseguem pagar o seu custo mesmo quando estão saudáveis.
O que fazer com ele
Tira-as e põe-nas no lixo em vez de no compostor. Cortá-las não é tratamento, é retirar a parte da planta que já está terminada e que sustenta a humidade de que a folha seguinte precisa.
- VeredictoEstá a ir-se, e vale retirá-la
Folhas com amarelo por baixo do branco
As folhas muito infetadas amarelecem, murcham e morrem
o que acontece a uma folha quando a infeção já se instalou nela — University of Illinois Extension
O que esse tecido está a fazer
O branco é só uma parte do que está nestas folhas; o tecido entre as nervuras ficou pálido ou amarelo, e a folha começou a puxar pela planta em vez de a alimentar. Não vai voltar atrás, pulverize-se o que se pulverizar sobre ela.
O que fazer com ele
Retira-as, e por duas razões: a folha é uma perda e é a fonte de esporos mais próxima do crescimento limpo que tem por cima. Lava as mãos ou as luvas depois, porque os esporos viajam no que lhes toca.
- VeredictoAinda trabalha, e vale defendê-la
Folhas com manchas brancas e verde entre elas
De 7 a 10 dias desde a infeção até os esporos serem visíveis
o período de latência entre um esporo aterrar e a colónia ficar visível — University of Nebraska-Lincoln Extension
O que esse tecido está a fazer
Estas folhas continuam verdes nas zonas a que o fungo não chegou, o que significa que continuam a fabricar os açúcares com que o fruto vai ser enchido. Este é o tecido de que depende a decisão de salvamento: é a parte que decide com quanta colheita a planta termina.
O que fazer com ele
Deixa-as ficar. Protege-as em vez de as limpar: a camada à superfície não é o problema, e esfregá-la estraga a folha e espalha esporos pelas tuas mãos.
- VeredictoLimpo, e é o que importa
O crescimento novo, nas pontas
De 7 a 10 dias para aparecer uma colónia nova em tecido limpo
o mesmo período de latência, e é por isso que uma ponta limpa hoje não é uma ponta segura — University of Nebraska-Lincoln Extension
O que esse tecido está a fazer
Numa planta que ainda estica, as folhas mais novas e as pontas das ramas são o tecido que leva a colheita a partir daqui. São também o tecido que a doença prefere quando a planta está muito adubada, portanto limpo hoje não é o mesmo que limpo dentro de quinze dias.
O que fazer com ele
Vigia-o em vez de o tratar. Se a ponta continua a esticar e as folhas novas saem planas e de tamanho completo, a planta vai à frente da doença e a colheita ainda chega.
10 a 20%
O que a planta perde quando as folhas velhas caem cedo
a perda de colheita que o oídio causa em cucurbitáceas onde não se faz controlo nenhum — University of Illinois Extension
Esse dado é o útil para decidir, porque é o tamanho da perda e não o tamanho da doença. Uma cucurbitácea que perde cedo as folhas mais velhas continua a encher fruto, e a perda cai no fruto que amadurece quando a folhagem já não está: menos frutos e mais pequenos, fruta que amadurece antes e de forma incompleta, e fruta que apanha sol porque as folhas que lhe dariam sombra estão no chão. Na abóbora e na moranga vai com isso a conservação. Portanto a decisão entre tratar uma planta e arrancá-la quase nunca é difícil: uma planta com crescimento limpo na ponta vale a pena ficar, e uma planta a que só restam folhas infetadas não vale a água.
Desta folha para fora, e o que isso significa para a próxima primavera
A distância que a infeção seguinte tem de percorrer decide que outras plantas deves ir ver e quanto vale a limpeza de outono. Lê as distâncias para fora e as duas respostas separam-se.
De onde vem a infeção seguinte decide se o trabalho vale a pena, e a resposta muda com a distância. O fungo é específico do hospedeiro: o dos teus pepinos não é o das roseiras nem o das videiras, e é por isso que as plantas a ir ver a seguir são as da mesma família e não as mais próximas.
- Nesta planta
Os esporos que a camada branca já está a produzir
Milhares de esporos a partir de uma só infeção
o número de esporos secundários que uma infeção primária pode chegar a produzir — Ohioline, Ohio State University Extension
A camada branca é o fungo a produzir esporos, e as cadeias quebram-se e viajam com o vento. É por isso que a colónia que vês hoje não é a que vais ter dentro de uma semana, e é por isso que as folhas que retiras hoje valem mais do que se as retirares no fim de semana.
- Neste canteiro
As plantas da mesma família
Específico de uma família botânica e não de uma só espécie
o intervalo de hospedeiros dos oídios, estreito ao ponto de um deles não saltar para uma cultura sem parentesco — UMass Extension
O oídio de um pepino infeta melão, abóbora e abobrinha, e o do tomateiro é outro fungo que não o fará. Portanto as plantas que vale a pena ir ver são as outras cucurbitáceas, ou as outras solanáceas, e não tudo o que está no canteiro. Uma melancia e um pepino estão suficientemente perto para os esporos se alcançarem com facilidade.
- No inverno
Os restos do canteiro
Sobrevive como corpos de frutificação em folhas caídas ou como filamentos na planta infetada
as duas formas de invernar, e onde esperam — New Mexico State University Plant Clinic
O fungo não sobrevive sozinho no solo: precisa de tecido vivo ou dos corpos resistentes que forma no fim da época sobre folhas caídas, caules e gomos. É esse todo o argumento da limpeza de outono, e é um argumento real; mas é também a razão de a doença voltar a uma horta que foi limpa na perfeição, porque os esporos viajam centenas de quilómetros com o vento e chegam de outro sítio.
- De fora
O vento e as mudas compradas
Chega às plantas vizinhas com o vento, ou a centenas de quilómetros
as distâncias que os esporos percorrem pelo ar — University of Minnesota Extension
É esta a razão de um canteiro que não tinha nada no ano passado o ter este ano, e a razão de um período sem cultura ser a única coisa que quebra mesmo o ciclo: o fungo precisa de um hospedeiro vivo, portanto uma época sem uma planta suscetível nesse sítio termina-o ali. Comprar mudas é a outra via, e vale a pena olhar para a página de baixo antes de as pôr na terra.
As duas últimas linhas são a razão de a limpeza de outono valer a pena e de não ser uma garantia. Retirar os restos reduz o que arranca nesse canteiro na primavera seguinte, e o vento repõe boa parte de qualquer maneira; portanto o trabalho vale uma tarde, e não vale organizar a época em volta dele.
Os dois trabalhos, e qual deles é possível
Todos os métodos desta lista são vendidos como cura e nenhum é. Ler cada linha de lado a lado separa o trabalho que é possível em tecido limpo do que não é possível em tecido que já o tem.
Estas são as coisas a que quase toda a gente recorre primeiro, e não estão todas erradas. O que as separa é qual dos dois trabalhos cada uma consegue fazer, porque não são o mesmo trabalho e só um deles é possível numa folha que já tem a doença.
Protege o tecido limpo
Atua sobre uma infeção já instalada
Enxofre
No Brasil está registado para as cucurbitáceas, e queima a folha com calor
o enxofre entre os produtos indicados para o oídio das cucurbitáceas, com a fitotoxicidade que o acompanha — Embrapa e University of Arizona Extension
Protege o tecido limpo
Sim, e é o mais barato que o faz
Atua sobre uma infeção já instalada
Não
O enxofre é o produto que as publicações técnicas nomeiam primeiro e é um protetor: atua sobre o tecido onde cai antes de o fungo chegar, e as folhas que crescem depois do tratamento ficam sem proteção. No Brasil está entre as matérias indicadas para o oídio das cucurbitáceas. O problema é a temperatura: queima folhagem com calor, o que faz dele uma ferramenta de primavera e de outono e não do meio do verão.
Bicarbonato de potássio
Tratamento de contacto eficaz, sem atividade residual
a descrição do bicarbonato de potássio como fungicida de contacto — University of Arizona Extension
Protege o tecido limpo
Sim, por contacto
Atua sobre uma infeção já instalada
Não
Esta é a versão eficaz da ideia do bicarbonato, e a diferença importa: vende-se com uma concentração no rótulo, enquanto uma mistura de cozinha não tem dose declarada e queima folhas. De contacto significa que mata o que toca e não deixa nada atrás, portanto há que repetir à medida que a planta cresce.
Óleos minerais e vegetais
Não usar nas duas semanas seguintes ao enxofre nem acima de 32 °C
as duas restrições que acompanham um tratamento com óleo — Utah State University Extension
Protege o tecido limpo
Sim, com cuidado
Atua sobre uma infeção já instalada
Em parte, em plantas lenhosas
Os óleos podem atuar sobre uma colónia já instalada e não só à frente dela, e é por isso que são a única coisa desta lista que faz algo a uma folha que já tem manchas. Isso não devolve o verde à folha: mata o fungo à superfície, e o tecido de que já levou os açúcares continua amarelo.
Leite cru, a 5% e a 10%
Controla o oídio da abobrinha e do pepino a 5-10%, uma vez por semana, tal como um fungicida
o resultado dos ensaios da Embrapa em abobrinha e pepino, pulverizando semanalmente — Embrapa Meio Ambiente
Protege o tecido limpo
Em parte
Atua sobre uma infeção já instalada
Em parte
É o único remédio caseiro com um ensaio real por trás e não com uma anedota, e as fontes não coincidem quanto ao momento de aplicar. A Embrapa, que fez os ensaios originais, indica uso preventivo e pulverizar a planta inteira todas as semanas, a 10% quando a infestação já é alta. Um trabalho posterior do mesmo grupo encontrou o efeito curativo mais forte do que o preventivo, e atribuiu-o a o leite depositar-se sobre os esporos e alimentar uma comunidade microbiana na folha. Vale a pena saber as duas coisas antes de escolher: a dose de referência é de 5 a 10% de leite em água, e nenhum dos dois resultados é uma cura para uma folha que já amarelou.
Bicarbonato de cozinha
1 colher de sopa por galão, e pode queimar as folhas
a dose caseira, publicada junto com o aviso que a acompanha — University of Arizona Extension
Protege o tecido limpo
Em parte, e de forma imprevisível
Atua sobre uma infeção já instalada
Não
A dose é real e o aviso é a parte importante: sem concentração declarada nem espalhante, uma mistura de cozinha queima folhagem com a frequência suficiente para as publicações técnicas imprimirem o aviso ao lado da receita. Se o objetivo é o bicarbonato, o produto com rótulo custa parecido com a caixa e não traz o risco.
Vinagre
O ácido acético está registado para tratar semente, não para isto
o uso agrícola autorizado do vinagre na UE, que é o tratamento de sementes e de ferramentas — EU CAP Network
Protege o tecido limpo
Sem evidência fiável
Atua sobre uma infeção já instalada
Não
O uso registado do vinagre na agricultura é desinfetar sementes e ferramentas de corte, e não há nenhum ensaio de extensão por trás dele como tratamento foliar para esta doença. É um ácido pulverizado sobre uma folha, e à concentração que faz alguma coisa também estraga a folha.
Esfregar a camada branca
As estruturas de alimentação continuam dentro das células
onde está o fungo em relação à superfície, e porque é que esfregar só alcança uma parte — Colorado State University Extension
Protege o tecido limpo
Não
Atua sobre uma infeção já instalada
Não
Este é o que parece que devia funcionar, e o mecanismo é a razão de não funcionar. Os filamentos e os esporos estão à superfície; as estruturas com que o fungo se alimenta estão dentro das células da folha, mesmo por baixo. Esfregar tira o que se vê, deixa o que faz o dano e leva esporos para as tuas mãos e para a planta seguinte.
Nada desta lista devolve o verde a uma folha, e a segunda coluna di-lo de cima a baixo. Isso não é razão para não usar nenhum: um protetor aplicado sobre o tecido limpo que fica por cima de uma infeção está a fazer trabalho real nas folhas da semana seguinte. Mas é a razão de uma lista de remédios não poder responder à pergunta com que chegas. A primeira coluna é sobre a próxima folha, e as que já têm manchas estão decididas. A Oregon State University Extension chega à mesma conclusão com mais clareza para uma horta doméstica: os pesticidas normalmente não se justificam para isto.
O que ainda dá para fazer esta época e o que é para o ano que vem
A lista vai por quanto tempo cada passo demora a deixar de ser possível, não pela importância. Os primeiros só estão disponíveis enquanto a planta tiver tecido limpo, e o último não se pode fazer até comprares a semente.
A lista está ordenada por quanto tempo cada passo demora a deixar de ser possível, porque os de cima só estão disponíveis enquanto a planta ainda tiver tecido limpo.
Quando a maioria das folhas está afetada, já é tarde para tratar
o ponto em que os serviços de extensão deixam de recomendar um fungicida — University of Minnesota Extension
- A janela
Enquanto ainda estiverem presas à planta
Tira hoje as folhas terminadas
O que custaVinte minutos e um saco
Começa pela base e sobe, e tira as folhas que estão amarelas entre as nervuras e não só as que têm mais branco. Põe-nas no lixo e não no compostor, porque uma pilha de compostagem doméstica não atinge de forma fiável a temperatura que mata os corpos resistentes. Lava as mãos e desinfeta a tesoura antes de tocar nas plantas limpas.
- A janela
Esta semana, antes de a humidade subir
Abre a folhagem
O que custaAs plantas que clareias e as ervas que arrancas
Clareia a parte apertada do canteiro, guia as plantas para cima em vez de as deixar cair umas sobre as outras e retira as ervas que deixam o ar parado à volta da base. O que importa é a humidade à superfície da folha e não o aspeto do canteiro, portanto o que conta é o espaço entre as folhas e o tempo que o orvalho fica de manhã.
- A janela
A partir de agora
Leva a água à base
O que custaOutra forma de regar
Regar por aspersão sobe a humidade dentro da folhagem e espalha esporos por salpico, portanto rega rente ao solo e de manhã. O que isto não faz é proteger a planta desta doença - manter as folhas secas nunca foi o que a travava - portanto toma-o como uma parte do trabalho sobre a humidade e não como a solução.
- A janela
Agora, e outra vez no ano que vem
Corta o azoto por esta época
O que custaNada, e poupas uma adubação
O azoto tardio faz crescer o tecido mole e rápido que o fungo prefere e, ao mesmo tempo, torna a folhagem mais densa. Uma planta que recebeu adubação forte todo o verão é a que tem mais probabilidade de apanhar a doença e a que tem menos capacidade de a ultrapassar, portanto a adubação que não dás faz mais do que o produto que podias ter comprado.
- A janela
Na altura de comprar a semente, que é a única em que é possível
Escolhe uma variedade resistente no ano que vem
O que custaO preço da semente e a variedade que querias
Há resistência disponível em pepino, melão e algumas abóboras, e é o único controlo que atua antes de a doença chegar em vez de depois. Resistente não quer dizer imune: as plantas apanham-no igual, mais tarde, e é essa a diferença entre uma colheita que termina e uma que não. É também o passo que não se pode dar em julho, e é por isso que está no fim de uma lista ordenada por urgência e não por importância.
- A janela
Depois da colheita, antes de o solo gelar
Limpa os restos no outono
O que custaUma tarde
Retira as ramas, as folhas caídas e os frutos passados em vez de os enterrar, porque o fungo inverna nos corpos resistentes que forma sobre exatamente esse material. Vale uma tarde e não é uma garantia: os esporos viajam com o vento, portanto um canteiro limpo pode ser infetado na mesma em julho a um quilómetro de distância.
Desce a lista e para quando a planta tiver mais tecido limpo do que infetado. Os dois primeiros passos são os que mudam o resultado desta época, e entre os dois custam uma tarde. Tudo o que está abaixo deles é sobre o ano que vem, que é a resposta honesta a uma doença que não se pode curar depois de estar dentro da folha.
Porque chega com tempo seco e porque volta
O que é a camada branca, o que faz por baixo e onde espera entre uma colheita e a seguinte.
Porque é que este fungo chega com tempo seco
Quase todas as doenças de folha que um hortelão encontra precisam de água sobre a folha para começar. O míldio, a pinta preta, a requeima, as ferrugens e a maioria das manchas foliares precisam de um filme de água livre - de chuva, de orvalho ou da mangueira - para que os esporos germinem, e é essa a razão de o conselho de sempre ser regar na base e manter a folhagem seca. O oídio é a exceção que quebra a regra, e quebra-a nos dois sentidos: os seus esporos germinam em ar húmido sem água livre nenhuma, e a água livre sobre a folha inibe-os.
Isso não é uma curiosidade. É a razão de a doença ser pior onde os outros fungos não estão: climas secos, épocas secas e hortas em que o dono foi cuidadoso. O oídio das cucurbitáceas é um problema sério em épocas secas, exatamente quando há secura a mais para o míldio e para as outras doenças de folha. Quem passou o verão a tirar a água das folhas andou a fazer o certo para todas as doenças menos para esta.
A humidade que o fungo usa de facto é a do ar dentro da folhagem, que não é o mesmo que a água sobre a folha. Precisa de humidade muito alta de noite para produzir os esporos e de ar mais seco de dia para os deslocar, e é por isso que uma sequência de dias amenos com orvalho forte e manhãs sem vento é o padrão que o põe a andar. As folhas de baixo de uma planta apertada estão exatamente nisso, todo o dia, e além disso são o tecido mais velho da planta; é por isso que as duas condições aparecem no mesmo sítio.
- A água livre sobre a folha inibe os esporos em vez de os ajudar, que é o contrário do que acontece no míldio, nas requeimas e em quase todas as manchas foliares.
- A humidade que importa é a de dentro da folhagem, portanto o espaçamento e a poda mudam-na e a rega quase não lhe toca.
- A doença corre pior com tempo seco, e é por isso que uma época seca pode ser má para isto e boa para todo o resto.
O que é a camada branca e o que está por baixo
O pó branco é feito dos filamentos do fungo e dos seus esporos, e está todo fora da planta. É isso que faz esta doença parecer trivial e que torna tão fácil tratá-la mal: é o único grupo de fungos que passa quase toda a vida à superfície, onde um tratamento o pode alcançar, em vez de dentro do tecido, onde não pode. Cresce sobre a folha, não através dela.
Por baixo da camada superficial o fungo introduz umas pequenas estruturas de alimentação nas células da folha. São as únicas partes dele que estão dentro da planta, e são a razão de a folha não recuperar. Uma vez dentro, o fungo está a tirar açúcar de células que continuam a fazer o trabalho de o produzir, e a folha perde mais do que fabrica. O amarelo que vês entre as manchas é essa perda a aparecer no tecido.
Os dois factos juntos explicam todo o argumento da página. Como o fungo está quase todo à superfície, um tratamento de contacto alcança boa parte dele e um hortelão decidido consegue esfregar boa parte. Como as estruturas de alimentação estão dentro das células, nenhuma das duas coisas devolve a folha, e um tratamento que mata o fungo à superfície de uma folha infetada mata-o no meio de um tecido que já deixou de pagar o que custa. É por isso que os tratamentos curativos, quando se usam, se aplicam ao primeiro sinal e não quando a doença já cobriu a planta: matar o fungo dentro de uma folha estraga a folha.
Porque é que a mesma doença volta todos os anos
O fungo não consegue viver sozinho no solo. É um parasita obrigatório, o que significa que precisa de tecido vegetal vivo, e entre uma colheita e a seguinte sobrevive de uma de duas maneiras: como filamentos dentro de uma planta infetada que se mantém viva durante o inverno, ou como pequenos corpos resistentes que produz no fim da época sobre folhas caídas, caules e gomos. Os dois estão sobre material vegetal e não na terra, e é isso que faz a limpeza de outono valer a pena e o que a torna incompleta.
Os corpos resistentes esperam nos restos e libertam esporos na primavera, e esses arrancam as primeiras infeções. A partir daí a doença anda com os esporos que a própria camada branca produz, e é por isso que uma só infeção precoce importa tanto: uma colónia produz um número muito grande de esporos secundários, e cada um pode fundar outra colónia sobre tecido limpo cerca de uma semana depois. A velocidade disso é a razão de o momento útil para agir ser quando aparecem as primeiras manchas e não quando a planta já parece muito afetada.
A outra metade da resposta é o vento. Os esporos viajam de planta em planta e de horta em horta, e há registos de centenas de quilómetros. Portanto um canteiro limpo a fundo no outono pode ser infetado na mesma em julho a partir de qualquer outro sítio, e o oídio do pepino do vizinho é o mesmo fungo. A limpeza baixa o número com que o teu solo arranca; não põe uma vedação à volta do canteiro, e uma página que prometesse o contrário estaria a vender algo que as fontes não sustentam.
A orientação de diagnóstico abaixo usa as referências listadas abaixo.
- Colorado State University Extension: Powdery Mildews
- Clemson University Home & Garden Information Center: Powdery Mildew on Landscape and Garden Plants
- University of New Hampshire Extension: Powdery Mildew of Greenhouse and High Tunnel Tomato
- University of Illinois Extension: Powdery Mildew of Cucurbits (RPD 925)
- Utah State University Extension: Powdery Mildew on Vegetables
- UC Statewide IPM Program: Pest Identification and Confirmation - Downy Mildew
- UC Statewide IPM Program: Powdery Mildew on Ornamentals
- Oregon State University Extension Service: How Can I Eradicate Powdery Mildew?
- University of Maryland Extension: Mineral and Fertilizer Salt Deposits on Indoor Plants
- UMass Extension: Powdery Mildew
- New Mexico State University Plant Clinic: Powdery Mildew (Guide O-4)
- University of Nebraska-Lincoln Extension: Powdery Mildew of Wheat (G1997)
- Ohioline, Ohio State University Extension: Powdery Mildew of Grape (PLPATH-FRU-37)
- University of Minnesota Extension: Powdery Mildew in the Flower Garden
- University of Arizona Extension: Powdery Mildew (AZ1033)
- EU CAP Network: Vinegar and Whey - How to Use Them for Plant Protection
- Embrapa Meio Ambiente: Leite de Vaca Cru para o Controle de Oídio (Comunicado Técnico 14)
Respostas rápidas antes de tratar a planta
As perguntas que aparecem depois de ler a planta, respondidas sem os remédios com que começam os resultados de pesquisa.
Uma planta consegue recuperar do oídio?
As folhas que o têm não recuperam, e a planta muitas vezes sim. Uma folha com a camada por cima e tecido amarelo por baixo já perdeu os açúcares que o fungo lhe levou, e não volta a ficar verde seja o que for que se pulverize sobre ela: a resposta da própria planta é largá-la. A planta no seu conjunto recupera se ainda tiver tecido limpo no rebento: mantém esse tecido limpo e a colheita chega. É por isso que a pergunta útil é sobre as folhas e não sobre a planta.
O pó branco sai ao esfregar ou está dentro da folha?
As duas coisas, e é aí que está toda a dificuldade. O branco que vês são filamentos e esporos à superfície, e sai com o dedo. As estruturas com que o fungo se alimenta estão dentro das células que ficam por baixo, e não saem. Portanto esfregar é um teste útil - uma camada que sai e deixa uma folha verde é melada de insetos e não um fungo - mas não é um tratamento, e esfregá-la estraga a superfície da folha e leva esporos para a planta seguinte nas tuas mãos.
É melhor o vinagre ou o bicarbonato?
Nenhum dos dois trata uma planta que já o tem e, dos dois, o bicarbonato é o que tem uma versão com rótulo que vale a pena usar. O uso agrícola registado do vinagre é desinfetar sementes e ferramentas de corte, não pulverizar folhagem, e à concentração que faz alguma coisa a um fungo também estraga a folha. O bicarbonato de cozinha funciona por contacto a uma colher de sopa por galão, e as publicações que dão a dose dão o aviso com ela: sem concentração declarada queima folhas com frequência suficiente para ser um risco real, e é por isso que o bicarbonato de potássio com rótulo é a versão melhor da mesma ideia. No melhor dos casos, qualquer dos dois protege tecido limpo.
Mata a planta ou posso deixar estar?
Numa hortícola é pouco provável que mate a planta e bastante provável que te custe parte da colheita. Os oídios raramente matam o hospedeiro, e uma planta com rebento limpo na ponta normalmente termina. O que ele leva é a folhagem, e o fruto que amadurece quando as folhas já não estão amadurece antes, de forma incompleta e ao sol; daí os 10 a 20% de perda em cucurbitáceas onde não se faz nada, e daí o dano cair na fruta tardia e não repartido por toda a colheita.
Que outras plantas devo ir ver?
As da mesma família, porque os oídios são específicos do hospedeiro e não generalistas. O fungo dos teus pepinos é o que passa para melão, abóbora e abobrinha, e não passará aos teus tomateiros, pimentos ou feijões. O tomateiro tem a sua própria espécie, e nele pode correr também pelos caules além das folhas. Portanto a verificação útil são primeiro as outras cucurbitáceas e depois as outras solanáceas; o resto do canteiro é prioridade baixa.
Vale a pena limpar no outono?
Reduz o que arranca nesse canteiro na primavera seguinte e não evita a doença. O fungo inverna nos corpos resistentes que forma sobre folhas caídas, caules e frutos passados, portanto tirar esse material em vez de o enterrar elimina a fonte local. Também precisa de tecido vivo para sobreviver, portanto uma época sem uma planta suscetível nesse sítio quebra o ciclo ali. Mas os esporos viajam centenas de quilómetros com o vento, portanto uma horta limpa na perfeição pode ser infetada na mesma a partir de outro sítio: vale uma tarde, não vale confiar nele.
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